terça-feira, 31 de agosto de 2010

Às compras!

Como se não bastasse toda a minha emoção com o início das aulas, sexta-feira vamos conhecer Nova York! Sim, crianças, eu vou conhecer o berço da civilização ocidental! (hehehe) Vamos aproveitar que segunda que vem é o feriado do dia do trabalho (finalmente a regra de moda "não use branco depois do dia do trabalho" fez sentido pra mim) e emendar de sexta a segunda. Não, não estamos milionários; vamos ficar na casa do super Paco, que vai fazer o favor de abrigar dois estudantes pobres latino-americanos sem dinheiro no Chevy Chase. Vou erguer uma estátua pra ele por me permitir essa oportunidade! E a passagem ida e volta pra uma viagem de quatro horas e meia num ônibus confortável e com internet custou a merreca de US$46,25. Nunca mais quero viajar de ônibus no Brasil!

Bom, mas como pra conhecer NY a gente precisa caminhar, e muito, resolvi que era hora de comprar um tênis, coisa que eu vinha me amarrando pra fazer desde que eu cheguei. Então hoje depois da emoção da aula do Lasnik fomos, baiano et moi, até o PG Plaza comprar tênis. E aí a minha felicidade, que já tava nas alturas das alturas, só fez aumentar. Motivos:

1) Comprei um tênis da Adidas por... US$49,99. Mais as taxas saiu por US$52,99. E olhem que lindo!

Olha o Deus de Pelúcia de Robert ali atrás... rs

No pé!

Sim, eu detesto tênis, acho que ninguém fica bem de tênis, todo mundo sabe disso. Mas eu decidi que vou voltar nessa loja e vou comprar pelo menos mais um par. O tênis mais caro que eu vi lá dentro custava ridículos US$59,99 e era um Nike de couro muito bonito. Aqueles tenizinhos bonitinhos da Puma que eu namoro há anos mas nunca compro custam US$39,99, mais barato que os falsificados da Galeria Pagé. Nunca mais vou ter coragem de comprar um tênis no Brasil!

2) Depois do tênis, andando pelo shopping, passamos num quiosque de fazer sobrancelha e eu realizei um sonho de muitos anos: fazer a sobrancelha com linha. Confirmei as expectativas: dói menos que cera, dói muito menos que pinça (nada dói mais do que pinça!) e a pele não fica quase nada vermelha e irritada (mesmo a minha). Foi bem rápido, mesmo fazendo quase dois meses que a minha sobrancelha não via uma cera, e ficou super bem feito. E tudo isso por apenas dez dólares. No Brasil um dos poucos lugares que eu vi que tinha esse serviço custava a bagatela de 40 reais. Faz-me rir, né. Nunca mais quero fazer a sobrancelha no Brasil!

3) Por fim fomos na Target, pra eu procurar pela bilionésima vez um sabão e um desodorante roll-on decente (o meu eu decidi que não vou mais usar, além de tudo é grudento e deixa a roupa muito manchada). Sem sucesso. Comprei um desodorante stick da Dove tamanho viagem pra testar e até achei bonzinho, se nada mais der certo vou usar sempre esse. Mas antes quero virar NY de ponta cabeça, mas credo se eu não vou achar um roll-on da Nivea lá! Comprei também açúcar e pasta de dente, tudo em tamanho colossal (uma hora ainda quero escrever sobre isso com calma aqui no blog, mas não será hoje). E vi café Pilão! Ou melhor, café Pilon. Não acreditam? Olha aí:

Obviamente não comprei, café Pilão já é horrível no Brasil, imagina aqui!

Bom, vou ficando por aqui que amanhã é dia de São Levantar Cedo. Mas já vão se preparando porque eu provavelmente vou ter muita coisa pra contar de NY na semana que vem!

Às aulas!

Ai, nem sei por onde comece, como diria Caetano. E só por eu estar citando Caetano vocês devem deduzir que eu devo estar de bom humor. Pois então. É isso mesmo. Deixa eu explicar:

É bem verdade que começo de aula sempre me empolgou, desde que eu me conheço por gente ia bem feliz pra aula no primeiro dia. Mas dessa vez é diferente. Cara, a minha primeira aula do semestre foi com o Pietroski! Pros não-lingüistas que lêem esse blog (e pros lingüistas desinformados também... rs): ele é um cara muito muito muito muito bom, super reconhecido na área, enfim, vocês entenderam. Na verdade o Pietroski marcou muito a minha vida porque ele deu um curso na UFSC na minha primeira semana lá (lá se vão cinco anos). Eu, claro, não entendi quase nada do curso, afinal nunca tinha tido semântica formal na vida e o curso dele era bem avançado. Mas mesmo assim na época achei ele muito didático. E ontem confirmei a minha impressão: a aula do cara é um show. O curso que ele tá dando é de introdução à semântica, e é introdução mesmo, o cara começa da coisa mais básica possível: o que é significado.

Isso é uma coisa que realmente me impressiona: mesmo sendo um dos melhores departamentos de lingüística no mundo, aqui ninguém pressupõe que as pessoas chegam sabendo x ou y. Curso de introdução é curso de introdução e começa do zerinho. Umas matérias assim eram tudo o que eu sempre quis na vida e olha só onde fui conseguir: no meu último ano de doutorado no departamento mais foda que existe. Se eu tivesse tido isso no início do mestrado acho que a minha vida teria sido bem mais fácil (e digo isso com base na única matéria de introdução a alguma coisa que eu tive na vida que realmente começou do zero: o curso de introdução ao minimalismo que a Ruth deu no meu primeiro semestre na UFSC).

Bom, mas aí como se não bastasse a emoção da aula do Pietroski e a receptividade dele com a gente, hoje tive o meu momento de emoção suprema, que só será superado se eu realmente conseguir ir pro MIT assistir umas aulinhas do Chomsky: tive minha primeira aula de introdução à sintaxe com o Lasnik. Pra vocês entenderem a importância do Lasnik, eu costumo chamar ele de "o vice". Tipo, o Chomsky está ao trono e o Lasnik está à direita do deus pai todo-poderoso. Esse cara construiu a teoria junto com o Chomsky, participou ali de quase todos os momentos fundamentais, e agora cá estou eu tendo aula com ele. E vou dizer pra vocês: chegou uma hora no meio da aula que o meu olho encheu de água de emoção. E depois que eu cheguei em casa e fiquei lembrando da aula o meu olho encheu de água de novo. Podem me chamar de manteiga derretida, mas eu realmente me emocionei. Não só porque ele é quem ele é ou porque a cada cinco minutos ele conta uma anedota sobre a história da teoria gerativa. Não. É porque faz trinta anos que o cara dá essa aula e o olho dele ainda brilha quando ele começa a falar de sintaxe. A aula também começou pelo mais básico do básico e dava pra notar claramente como ele tava empolgado falando daquilo, como se tivesse descoberto ontem e não há quarenta anos atrás.

Quinta tem a minha última estréia: a aula do Norbert. Difícil vai ser escolher a melhor das três.

Hoje tivemos também a festa do departamento, um almoço pra todo mundo socializar e se apresentar. Deu pra ver muito mais gente do que eu já conhecia, e sei que teve gente que não tava lá. O departamento é muito grande! Mas o momento supremo foi quando, já no final, eu tava sentada perto do Lasnik (com quem eu até então não tinha interagido) e entrou um cara na sala pra comer também. Aí o Lasnik vira pra mim do nada e pergunta se eu já tinha conhecido o Juan. Ainda bem que eu não tava de boca cheia, senão acho que tinha cuspido tudo. Era o Uriagereka, um dos meus grandes ídolos da new generation gerativa. Pena que nesse semestre ele não vai dar matéria, mas é certo que eu vou marcar um horário com ele pra discutir meu trabalho.

Antes de encerrar o post, só quero fazer uma nota sobre a receptividade dos professores por aqui. Todos eles encorajam a gente a marcar atendimentos pra tirar dúvidas sobre a aula, dúvidas sobre leituras, discutir a pesquisa da gente... E na verdade marcar horário é só se a gente quiser, porque se o cara tá na universidade e a porta do escritório tá aberta é só entrar e conversar. Eu acho isso muito fantástico. E o Norbert, que é chefe do departamento, tá sempre circulando pra cá e pra lá, batendo papo com todo mundo, se inteirando do que a gente anda fazendo, oferecendo biscoito às três da tarde... Nunca vi nada nem parecido com isso no Brasil, acho que a USP é o que temos de mais próximo, mas ainda assim não chega nem perto.

Por que é que eu não vim fazer o meu doutorado inteiro aqui mesmo?

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Álcool

Ontem no piquenique ficamos sabendo que aqui no estado de Maryland é proibido consumir bebiba alcoólica em áreas abertas públicas. Ou seja: não pode sair por aí andando com uma latinha de cerveja que nem fazem no Brasil. Também não pode beber em parques, praças, etc, mesmo que se esteja numa área de lazer fazendo um piquenique, como estávamos ontem. Não pode nem andar com garrafas de bebida abertas (e por abertas quero dizer não-lacradas).

Assim, eu até entendo o motivo por trás da proibição: o ser humano médio é desprovido de bom senso, logo, façamos uma lei pra coibir certos comportamentos potencialmente nocivos aos demais membros da sociedade. Concordo que não tem nada mais chato que um bando de bêbado bebendo, gritando, fazendo arruaça e perdendo completamente a noção rua afora, ou num parque onde tem criancinhas brincando. Invariavelmente dá merda, rola ofensa pessoal, ou ofensa à moral e aos bons costumes, essas coisas. Então sim, eu concordo com a moral por trás da lei.

Agora, confesso também que achei a lei meio over. Tipo, por essa lei o cara não pode beber na beira da praia. Imaginem, ó caros compatriotas, praia sem bebida! Praia sem bebida é um saco!! É só aquela areia e aquele sol escaldante e a menos que a gente murche de tanto ficar na água (coisa que os transparentes como eu não podem se dar ao luxo de fazer, aliás, coisa que a maioria da população não deve fazer mesmo que não seja tão branca quanto eu) não tem muito o que fazer por lá. O que salva a praia é a caipirinha!

Ok, talvez seja o meu lado brasileiro se manifestando, mas acho que não. Acho que é conhecimento de mundo mesmo: quem quiser beber em público vai dar um jeito de beber em público - ontem mesmo no nosso piquenique tinha cerveja, que foi consumida de forma moderada e sem transtornos. O que me leva ao segundo ponto: ninguém vai ficar fiscalizando todos os cantinhos de todas as cidades. A menos que o teu vizinho de piquenique seja um dedo-duro de marca maior, é bem pouco provável que te peguem. E se o teu lance for tomar um traguinho em paz e sem incomodar ninguém, imagino que o teu vizinho de piquenique não vá chamar a polícia - a menos que seja um baita de um filha da puta.

Moral da história: se o bom senso prevalecesse no mundo, 75% das leis não precisariam existir. E como eu me considero uma pessoa bastante sensata, acho que 75% das leis são inúteis porque as pessoas que têm bom senso não vão deixar de fazer alguma coisa só porque existe uma lei, mas porque têm bom senso. E as pessoas que não têm bom senso não há lei que conserte.

É... Nessas horas eu meio que perco a fé na humanidade...

domingo, 29 de agosto de 2010

Piquenique

Hoje eu e o Rey fomos pra um piquenique com os amigos iranianos da Azadeh. Éramos quatro não-iranianos: nós dois, um alemão e uma americana. Como era de se esperar, alguns iranianos não nos deram a menor bola e outros ficaram o tempo todo batendo papo com a gente. Foi legal. O ponto alto foi quando, já no finalzinho da tarde, eu e o Rey começamos a tentar fazer embaixadinhas com uma bola de futebol que tava por lá. Eu, com o meu inexistente talento e calçando Havaianas, consegui fazer três. Mas a bola era muito leve, tão leve que a gente começou a jogar vôlei. Logo o nosso novo amigo alemão e um dos iranianos bacanas que eu não lembro o nome vieram jogar também. Considerando que fazia uns seis anos que eu não jogava vôlei e que faz 16 que eu não jogo pra valer, até que eu ainda consigo dar toques e manchetes, sacar e cortar. Mas tenho a leve impressão de que amanhã eu não vou estar muito inteira não... rs.

Tchan!

Me preparando pra mais um saque mortal huahauhaua

Os boleiros - nossa primeira foto juntos por aqui

Primeira foto oficial das roomates

Galera de fé que resistiu bravamente até o fim do piquenique - apesar dos mosquitos

E amanhã começam as aulas! Primeira parada: introdução à semântica com o Pietroski. Isso se eu conseguir caminhar até o ponto do shuttle hehehe.

Obamis

Vocês acham que só porque eu não tou no Brasil eu estou por fora das eleições, da campanha e da propaganda política? Nãããão! Claro que não! Quem me conhece sabe que eu adoro política, adoro acompanhar as eleições, e adoro assistir o horário eleitoral gratuito pra dar risada com os candidatos toscos. Nesse quesito a melhor pedida são as eleições municipais: nessas chove candidato engraçado. Mas a eleição estadual também rende bons frutos e eu, claro, tenho acompanhado tudo no youtube.

Nem vou falar desses candidatos pop tipo Marcelinho Carioca, Maguila, Mulher-Pêra, KLB, Raul Gil Jr., Ronaldo Ésper... Não! Meu candidato preferido até o momento é o tal Obama Brasileiro. Se bem que pelo estilo e expressividade taria mais é pra Obamis, especialmente se levarmos em conta a dancinha... rs. Olha só:


Até o meu Obamis é mais eloqüente hehehe.

Esqueci!

Lembram do guaraná Brazilia, the best from Brazil? Pois então. Em nossa última incursão ao supermercado fomos investigar a embalagem mais a fundo pra ver se tinha a origem do produto. Nada. Só diz que a importadora é do Québec (!) e tem os ingredientes em várias línguas, inclusive em português. Eu acho que a gente devia denunciar por propaganda enganosa, afinal tudo no produto dá a entender que foi fabricado no Brasil.

Também prestamos um pouco mais de atenção nos outros refrigerantes. Tem refrigerante de água de coco (sim, com gás), várias marcas, e os refris de abacaxi e limão, a julgar pela cor, devem ser altamente radioativos. Tem também uma tal de Inka-Cola, que vem numa garrafinha de vidro e é claro que eu quero provar, e achamos também isso:

Sim! É refrigerante de lichia, meu povo!

Também fiquei com vontade de comprar, mas não sei por que não levo muita fé que seja bom... rs.

sábado, 28 de agosto de 2010

Novas e rápidas

Bah, tou super devendo pro blog essa semana! Tenho várias coisinhas pra contar, então vamos por partes, como diria Jack:

1) Finalmente estou tomando café decente de manhã. Não, não tou indo na Starbucks... rs. Acertei a mão com o pó da Melitta da foto aí embaixo. Achei a proporção perfeita e agora finalmente posso parar de choramingar e encher o saco de vocês com isso.

2) Não tou mais levando o Miles pra universidade. O Obamis tem tudo o que eu preciso e pesa muito menos. Gente, é o ouro, tou completamente encantada com ele. Uma banana pros bocabertas que falaram mal do iPad logo que foi lançado. É só não esperar que ele seja um computador... Pro que ele se propõe é muito bom. E os aplicativos gratuitos são tri bons :) A única coisa que eu não consegui fazer foi postar no blog a partir dele. Mas ainda tou fuçando e uma hora dessas eu consigo.

3) Uma coisa que eu quero comentar há séculos e sempre esqueço: todas as embalagens de frios e embutidos, inclusive de salsicha, vêm com ziploc. Tu abre tirando uma fitinha (tipo de Club Social, mas que funciona) e depois fecha com o ziploc. Fica tudo fresquinho muito mais tempo. E o queijo fatiado, mesmo o da marca mais baratinha, vem com folhinhas de papel-manteiga entre uma fatia e outra. Chego a dar risada lembrando da mussarela do Bourbon...

4) O tempo tá começando a mudar. Os dias não estão mais tão insuportavelmente quentes, o sol não brilha insanamente, tá amanhecendo um pouquinho mais tarde e anoitecendo um pouquinho mais cedo... Dá pra notar claramente a mudança. Bem diferente do Brasil.

5) Agora todos os shuttles da universidade têm wi-fi. E desde ontem eles começaram a correr em horário normal, o que significa que estamos chegando ao fim das férias. Vai ser muito bom ter mais horários pra ir e voltar da universidade e pra ir no mercado.

6) Falando em mercado, eu já aprendi onde as coisas estão no Shoppers, mas continuo não entendendo a lógica interna do sistema. Tem refrigerante em várias prateleiras espalhadas pelo mercado. Salgadinhos também. Presuntos e queijos ficam em pólos opostos do mercado. Juro que eu não entendo. E eu vi Cebolitos aqui pela primeira vez, claro que o nome não é Cebolitos, é Funyons, mas é igualzinho. Por outro lado, comprei um treco crente que era Baconzitos e era tipo um Doritos, feito de milho, mas no formato do Baconzitos. Total frustração.

7) Ainda no quesito supermercado, encontrei, finalmente, meia dúzia de ovos pra comprar. Fiquei com medo de serem do recall, mas acho que não tem perigo. Também comprei salsicha e devo dizer: é a melhor que eu já comi. E ela já vem cozida, então é só esquentar no microondas por 15 segundos e tá pronta. Eu sei que é estranho, mas é o que a embalagem manda fazer, eu fiz e deu certo.

8) Eu vi uma barata na universidade. Quem disse que as baratas daqui eram completamente diferentes das do Brasil (eu li isso em mais de um lugar) mentiu deslavadamente. Ecaaa!

9) Aqui tem lençol de soft. Óbvio que eu vou comprar um.

10) Nova York está no horizonte. Mas sobre isso eu falo melhor outra hora.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Mais café

Com a ida pra D.C. e o esforço intensivo pra conseguir postar tudo sobre ela ainda no domingo, esqueci completamente de contar que eu inagurei, ainda no sábado de manhã, o café Melitta, minha quase última esperança de tomar um café decente por aqui.

Pois falhou. A moagem dele é igual à moagem que a gente tá acostumado no Brasil, mais fininha:



Mas o sabor nem se compara. É super amargo, e se a gente coloca bastante pó pra fazer um café forte ele fica com aquele gosto de café vagabundo, amargo e aguado. É o mesmo problema dos outros pós: não é impossível fazer um café forte, é só colocar um monte de pó. Mas não fica bom, fica um café forte com gosto horrível. Acho que é por isso que eles aqui tomam café tão fraco hehehe.

De qualquer forma, pelo menos a moagem desse é melhor do que os outros cafés que eu já tomei (foram 3 antes desse). Hoje fui de novo no mercado e comprei o outro tipo, Melitta Classic Blend. Vamos ver se fica menos amargo e mais encorpadinho, mas ai, já tou quase desistindo. Depois desse, vou tentar comprar uns embalados a vácuo que tem no mercado. As marcas são em geral as mesmas que eu já comprei, mas vai que o vácuo tem algum efeito, né? Café em latinha pra mim é Nescafé, que eu só tolero com leite e em raras ocasiões (= acordei atrasada pra ir pra faculdade).

Agora me ocorreu que pode ser por causa da fraqueza do café que eu sempre acordo cedo e durmo cedo, desde que eu cheguei aqui. Será culpa da falta de cafeína, céus? Acho que vocês, meus amigos que tanto me amam, podiam me ajudar a testar essa hipótese: é só vocês fazerem uma vaquinha e me mandarem daí do Brasil uns pacotes de Melitta forte, embalado a vácuo. O progresso científico agradece.

domingo, 22 de agosto de 2010

D.C. parte VI - Georgetown e até a volta

A ida pra Georgetown tinha um objetivo específico: a Apple Store. O baiano chegou aqui sem computador, e eu tenho o meu Miles velho de guerra mas tou querendo comprar um novo pra levar de volta pro Brasil porque Apple aqui é muito mais barato. Também tava querendo muito um iPad e queria ir na loja pra ver em quantas mil vezes eu poderia parcelar no cheque.

Mas a verdade é que Georgetown é uma área muito nobre e famosa de D.C.: tem restaurantes e barzinhos transados, lojas bacanas, lojas de grife... É tipo a área dos Jardins em São Paulo, ou o Moinhos em Porto Alegre, mas sem prédios altos, só sobradinhos, e é pertinho do Potomac.

Estávamos mortos, então pegamos um metrô até a Foggy Bottom e dali íamos pegar um ônibus. Mas descemos da estação e tinha uma plaquinha indicando pra que lado era o rio, e era pro mesmo lado que a gente ia, então decidimos ir a pé um pouquinho pra ver onde chegávamos. Não chegamos no rio, mas pudemos conhecer um pouco da área e eu decidi que se um dia vier morar aqui pra dar aula no departamento de lingüística da Universidade de Maryland (sonhar não custa nada!) vou morar em Georgetown. Deve custar uma fortuna, mas como eu vou ser rica...rs. Sooooonha, Marcelino!

Acabamos indo a pé até a loja. Nem era tão longe, e foi ótimo porque deu pra ver as coisas. Olhem um pouco da região que eu consegui captar com as minhas lentes já cansadas e com pouca bateria:

Esse foi dos prédios mais altos que a gente viu

Olha que gracinha de rua! Esquina da 26th St. com L St.

"Hm... Será que isso é o famoso Potomac?"

Pennsylvania Ave.

M Street, famosérrima

Mais M Street

M Street com Wisconsin Ave. A Apple Store é bem ali à direita.

Já na Apple Store, descobri que não dá pra parcelar no cheque. Dá pra dividir o pagamento em mil cartões de crédito e débito e ainda pagar um pouco em dinheiro e cheque, mas metade à vista e metade pra 30 nem pensar. Pra piorar, o computador com a configuração que eu queria não tinha na loja. Claro, mesmo que tivesse eu não compraria porque ainda não tou cagando dinheiro. Todo dia eu tento, mas não tem jeito. Acabei comprando o iPad e decidi que só vou comprar um computador novo na hora de ir embora, e só se tiver dinheiro suficiente que dê pra comprar e ainda sobre um tanto. Não quero, em hipótese alguma, voltar lisa pro Brasil.

Feliz proprietária de um iPad e absolutamente incapaz de erguer os pés pra caminhar, voltamos pra casa. Chegamos de volta às 21:30, exatas 13 horas e meia depois de sairmos. A volta foi relativamente tranqüila, fora o fato de termos tido que esperar mais de meia hora por um ônibus pra ir da estação do PG Plaza até a Adelphi. E pegamos o último ônibus, ou seja, das próximas vezes temos que ser cuidadosos com o horário pra não ficarmos a pé.

E sim, hoje eu acordei absolutamente acabada dos joelhos pra baixo e passei boa parte do dia com as pernas esticadas na cama. Mexendo no iPad, que eu batizei carinhosamente de Obamis. Acho que o Miles ficou com ciúmes, inventou de dar pau duas vezes hoje. Mas tudo bem, eles já conversaram um com o outro e agora tá tudo certo.

D.C. parte V - Castelo e Air & Space Museum

Finalmente, os museus! A primeira parada, obrigatória segundo o nosso orientador, era o Castelo, que já apareceu nas fotos anteriores. Lá tem o filminho contando um pouco da história do Smithsonian e falando sobre os museus. Quem narra o filme é o Ben Stiller (hehehe) e é bem legalzinho. Dentro do Castelo também tem uma lojinha de lembranças (claro) e uma sala com um pouco de cada coisa dos museus. Por exemplo:

Louça do Concorde

Um urso empalhado

Aranha gigante comedora de pássaros (ai!)

Como a gente tava cansados já e ainda tínhamos que ir na loja da Apple, resolvemos ir num museu dos mais próximos ao Castelo: o museu do ar e do espaço. Como o nome denuncia, é um museu com coisas de aeronáutica e astronáutica. Logo na entrada, uma coisa absolutamente fantástica: tem um pedaço de uma rocha lunar pra gente passar a mão. É ou não é o máximo?

Sim, eu encostei num pedaço da Lua!

Tem também foguetes, muitos foguetes, e cápsulas espaciais, olha só:

Fica quase tudo pendurado no teto

De perto dá até pra ver o espacinho em que o pobre astronauta fica espremido

O tamanho desses trecos é impressionante

Bom, mas isso tudo é só na entrada. Tem ainda dois espaços grandes no andar de baixo, mais o andar de cima, mais várias salas com exposições temáticas temporárias e permanentes. Por exemplo, tinha uma exposição interativa pra criançada entender como os aviões voam. Claro que a gente mexeu em tudo o que tinha direito também. E tinha essa balança que indicava qual seria o peso da gente em outros planetas, com a variação da gravidade:

Quer emagrecer? Não vá pra Jupiter... rs.

Num dos ambientes do primeiro andar tem uma parte todinha com foguetes e outras coisas relacionadas a viagens espaciais. Olha só:

Eu, minúscula na frente do telescópio Hubble

Parte de uma nave espacial. Sim, a gente também entrou!

Foguetes, foguetes, foguetes

Na outra área do primeiro andar tem os aviões. De tudo quanto é tipo. Consigo pensar em algumas pessoas, possivelmente leitoras desse blog, que se emocionariam muito andando por lá. Olha aí um tira-gosto pra vocês:

Avião dos correios

Esse parece feito de telha de zinco hehehe

Turbina Rolls Royce!

Quem quer ser aeromoça?

Tinha também uma exposição sobre porta-aviões, uma sobre os planetas do sistema solar e uma sobre a Primeira Guerra, das quais eu não tirei fotos. Mas aí está uma foto das bombas usadas na Segunda Guerra:

Descarregadas, obviamente

E, diretamente da exposição sobre a conquista da Lua, fotos da cápsula da Apollo 11:

"Houston, Tranquility Base here. The Eagle has landed." (Neil Armstrong, 20/07/1969)

Mais de pertinho

Nessa exposição tem tudo quanto é coisa das Apollo, desde a roupa usada pelo Aldrin até utensílios de bordo. É muito legal.

Por fim, o interior da nave que eu mostrei ali mais pra cima:

Do lado da "cadeira de dentista" tinha uma bicicleta ergométrica (?)

Fim do museu. Muita, mas muita coisa bacana mesmo. Tem inclusive salas IMAX dentro do museu, com filmes sobre o Hubble, sobre a aviação, etc. E, claro, os pais da aviação são os irmãos Wright e nem uma palavra é dita sobre o nosso Santos Dumont.

A loja de lembrancinhas desse museu é algo à parte: réplicas perfeitas das jaquetas de couro das priscas eras da aviação, botons iguais aos da aeronáutica, quepes, roupas espaciais, macaquinhos vestidos de astronautas (eu queria)... Eu comprei comida de astronave! Sim, tinha pra vender! Dois tipos de sorvete e morangos. Peguei os morangos pra levar pro Brasil, quem quiser ver/experimentar se apresente hehehe. Na embalagem explica como é feito: eles congelam a comida e depois desidratam e embalam a vácuo. E eu comprei por pura curiosidade. Fiquei louca também pelo Einstein de pelúcia, mas resisti.

Mas a loja tem mais um andar no subsolo, e essa é a nerdlândia: tem TUDO de Star Wars (até Darth Vader de pelúcia) e de Star Trek. Tudo MESMO! Eu me enlouqueci num Yoda de pelúcia, era per-fei-to e custava só US$14, mas eu resisti. Chorando, mas resisti. Comprei meus morangos de astronauta, um íma de geladeira com os dizeres "failure is not an option" (se serviu pra Apollo 13 imagino que deva servir pra mim também) e uma moeda do museu (cada museu tem uma moeda e a idéia é colecionar todas).

Próxima parada: Georgetown! Mas pra ir pra lá precisa de metrô. Acompanhem no próximo post!

D.C. parte IV - Aquário e Casa Branca

Passamos pelo Obelisco quase ao meio-dia. Vimos no mapa confuso e minúsculo do baiano uma rota pra chegar na Casa Branca e lá nos fomos. No caminho, muitos prédios governamentais bonitos e um prédio em homenagem ao Reagan, o Ronald Reagan International Trade Center:

Imenso!

Na frente desse prédio fica um prédio governamental que eu não lembro exatamente qual é, mas tem a ver com comércio. E nesse mesmo prédio fica o Aquário Nacional. Totalmente fora dos planos, decidimos ver quanto custava pra entrar. Nove dólares. Entramos.

Na verdade eu sempre quis ver um aquário desses. Achei superlegal, dá pra fotografar quase tudo e tem tudo quanto é tipo de bicho. Abaixo, algumas amostras pra vocês. A qualidade das fotos não tá lá essas coisas porque é bem escuro lá dentro e não pode usar flash, mas dá pra ver os bichinhos:

Logo na entrada, crocodilos!

Tartarugas!

Essa aqui parecia que tava tentando interagir, ficava indo e vindo e olhava pra gente. Já os peixes não deram muita bola.

Um cavalo-marinho. Eu contei 8 com muito esforço, ficam todos enroscadinhos assim, escondidos. Mas são lindos!

Um tubarão-qualquer-coisa. Tinha vários, em vários tanques, mas ô bichinho que não pára quieto pra foto!

O tanque mais lindo do aquário

Bichinho esquisitinho. Não se enganem com a foto, ele é menor que uma lagartixa.

Uma lagosta gigante. É maior que um gato. E claro que tinha gente em volta sonhando com ela dentro de uma panela hehehe

Um peixe-canivete hehehe (pra espada ainda falta muito :P)

Lagartixa-marinha? Sapo com perninha e rabo?

Sapinhos do tamanho de dedais. E altamente venenosos, segundo as informações

Olha ti pitinininhu :)

Enguia elétrica...

arraias...

e piranhas. Diretamente da Amazônia pro Aquário Nacional de Washington!

Ok, ok, vocês vão dizer que é um absurdo sair do Brasil pra ir ver piranha nos Estados Unidos. Mas eu nunca tinha visto e achei o máximo, eu que não vou pular no Amazonas e esperar elas me morderem pra conhecer. Falando em morder, elas não mostraram os dentões pra foto... E o pessoal ia alimentar os tubarões às duas, mas não ficamos esperando porque também tínhamos que nos alimentar. As piranhas só comem às sextas-feiras, pelo que eu entendi.

Ah, sim, não deu pra tirar foto do polvo gigante nem das moréias, porque é proibido. Alguns outros bichos que eu queria fotografar, tipo o tubarão-gato, que é minúsculo, e os lambaris (que eu fiquei imaginando fritinhos com polenta, nham!), não rolou porque as condições de iluminação não permitiram. Sorry. Mas de brinde vão aí dois videozinhos que eu fiz. O primeiro é uma tartaruguinha tentando pegar carona com a mãe. Só dá pra ver no comecinho e no finzinho, no meio do vídeo elas foram pra parte mais escura do aquário e não apareceu. Mas é fofo mesmo assim.

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O segundo são os sapos azuis minúsculos supervenenosos fazendo o barulho deles, que na verdade parece um grilo. Esse é em homenagem à minha mãe, que adora sapos hehehe. E antes que tu reclame, mãe, escolhi os sapos mais bonitinhos pra te mostrar. Tinha uns bem feiosos e enrugados e horripilantes também, mas esses eu nem tive coragem de chegar perto, eca!

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A lojinha do Aquário tinha absolutamente todos os bichos aquáticos de pelúcia. Fiquei louca pra comprar um tubarão, mas o auto-controle falou mais alto. Comprei só um ímã e uma tartaruguinha bem pititiquinha daquelas que balança a cabeça.

Bom, do aquário pra Casa Branca. Pertinho até. Mas a Casa Branca foi uma total decepção. Só dá pra ver a mil quilômetros de distância, com uma cerca na frente, e ainda por cima tava em reforma. Pra visitar por dentro é um trampo enorme e tem que marcar com um senador local uns dois meses antes. Vamos tentar, mas putz... É meio brochante. De qualquer forma, aí tá a foto:

Nhé...

Marco Zero. Fica na Ellipse, que é a praça na frente da Casa Branca

Lá também fica a árvore de Natal da nação. Meio caidinha... Logo atrás é o obelisco

Tá, depois disso tudo já eram quase duas da tarde e ninguém tinha almoçado. Voltamos então pra região do Smithsonian, que fica bem perto, e comemos um cachorro-quente de 34,80cm com Pepsi 500ml e batata-frita. Tudo isso por apenas US$9,75. Vai comer uma saladinha pra ver quanto custa... rs. Na real achei um roubo o preço do combo, se não fosse ali naquela região altamente turística tenho certeza que dava pra comer o mesmo produto por 6, 7 dólares.

Depois fomos, finalmente, nos aventurar no complexo Smithsonian. Aguardem o próximo post!