terça-feira, 26 de outubro de 2010

Equilibristas

Hoje eu vi o impensável: um esquilo caminhando no fio de eletricidade. Ou melhor: correndo alucinadamente no fio de eletricidade.

A hora que eu enxergar um dando cambalhota eu conto pra vocês.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A tal da feijoada

Hah! Agora que eu já inaugurei o café, deixa eu contar:

Faz tempo já que eu sabia que tem uma área "de brasileiros" aqui por perto. Confesso que não tinha tido interesse nenhum em descobrir onde era, afinal de contas tou aqui por pouco tempo e não morro de saudades do Brasil. De mais a mais, tenho a minha cota diária de brasileiros (o baiano) e falo português todo dia. Comida brasileira eu mesma faço, dentro das limitações de ingredientes. Quer dizer, não tinha por que me abalar pra ir conhecer uma comunidade de brasileiros em vez de conhecer coisas que só tem aqui.

Mas, né, eu moro com uma pessoa insistente que queria porque queria ir num restaurante brasileiro. Restaurante brasileiro aqui por essas bandas é sinônimo de churrascaria (que orgulho!) e custa uma fortuna, em torno de US$50. Quer dizer, nem a pau. Aí resolvi dar uma pesquisada e descobri que nessa zona de brasileiros, que se chama Wheaton, tem uma padariazinha que serve feijoada por quilo no sábado. E lá fomos, na véspera das eleições: eu, o baiano, a Azadeh e uma amiga dela.

O lugar é pequenininho, mas decente. A feijoada é boa, tinha couve refogada e até palmito. Só senti falta da farofinha. De sobremesa tinha pudim e negrinho (brigadeiro, para os não-pampeanos). A parte de padaria tem cacetinho (pão francês, pros não-pampeanos), sonho, rosca, pastel de banana com canela e todas essas coisas bem brasileiras. A tv tava ligada na Record Internacional, mostrando cenas do carnaval (!). A maioria avassaladora dos freqüentadores é de mineiros, não precisa nem conversar com eles pra saber de onde são. Mas tinha um cara que é marine, filho de pai americano e mãe gaúcha que "sempre morou ali pela Protásio". Claro que esse cara ouviu a gente falando inglês e achou que as iranianas eram brasileiras e eu, americana (pela cara e pelo sotaque).

As prateleiras são cheias de produtos brasileiros: biscoitos, caixa de bombom, Bis, canjica, fubá, milho de pipoca (aqui só existe pipoca de microondas e pipoca pronta em saquinhos), erva-mate Madrugada, leite Moça e até tempero Arisco. E café! Sim, café brasileiro, café de verdade, não esse pozinho tingidor de água que tem por aqui. Não tinha Melitta, só café Pilão, café Caboclo e café 3 Corações. Comprei dois pacotes do último, embalado a vácuo e não essa coisa que vem em latinhas, pela bagatela de US$6,99. Não é muito mais caro do que eu vinha pagando pelo café "local".

Então essa semana eu inaugurei o tal café. Não é igual ao Melitta, mas pelo menos preteia o leite (o café daqui, se tu colocar um pingo de leite dentro fica branco), tem cheiro de café decente, é moído fininho e o gosto é bem melhor do que qualquer café que eu tenha tomado aqui. Tou bem feliz!

Comprei também uma lata de leite Moça pra fazer negrinho e levar pro pessoal do laboratório. O problema é que aqui Nescau não existe, só Nesquik, mas eu não gosto de Quik. Comprei um outro de uma marca mais sofisticada, era o único que vinha em uma embalagem que eu tenho alguma chance de conseguir consumir até o final de dezembro. Mas não é igual ao Nescau.

E pra quem tá se perguntando: não, não tinha sabão em barra...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Flores

Eis que hoje de manhã estava eu me arrumando pra ir pra aula quando ouço batidas na porta. Achei pouco provável que fosse na minha porta, afinal era muito cedo. Continuei me arrumando despreocupadamente. Uma meia hora depois, quando eu efetivamente botei o pé pra fora de casa, dei de cara com um pacote na frente da porta. Era uma caixona verde enorme e era pra mim. Não tinha remetente.

Peguei a caixa, entrei de volta e abri. Dentro estavam um vasinho de vidro, um buquê de flores, dois sachês de alimentos para flores recém-colhidas, instruções de como cuidar das flores e um cartão. O remetente? O Sr. Anônimo, também conhecido por aí como meu namorado. O motivo? Hoje faz três meses que eu vim pra cá. Isso significa que já faz mais tempo que eu estou aqui do que o tempo que falta pra eu voltar pro Brasil e nós morarmos juntos e sermos felizes para sempre até que a morte nos separe. :)


Mas na verdade pouco importa o motivo. Podiam ser flores pelo aniversário da morte do criador do Popeye, pela data da última aparição de N. S. de Fátima ou em comemoração ao aniversário da Margaret Thatcher. Podia até ser sem motivo algum. Só o que importa é que hoje eu ganhei flores de alguém que tá do outro lado do mundo e isso me deixou muito, muito feliz.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Pra quem tava procurando sarna pra se coçar...

Agora tem pra vender no supermercado :)

Nas exclusivas versões "original" e "para peles sensíveis".

domingo, 3 de outubro de 2010

Rapidinha

Preciso contar da feijoada que eu comi hoje no paraíso dos produtos brasileiros em Maryland, mas isso vai ter que ficar pra depois. Agora só quero comentar, enquanto ainda me lembro, que quarta-feira sentamos, baiano et moi, num bar em Georgetown pra tomar um vinho e comer uns petiscos e pediram pra ver a nossa identidade antes de servir o vinho.

Juro que se eu usasse Renew ia mandar uma carta de agradecimento pra Avon.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Eles estão descontrolados!

Leitores do meu Brasil, vocês não fazem idéia do que o começo do outono fez com os esquilos! Antes eles ficavam ali roendo umas nozinhas, brincando, subindo e descendo das árvores. Tudo bem, eles sempre me pareceram um pouco agitados demais, tipo ligados no 220. Mas agora eles tão iguais ao Scratch (o esquilo da Era do Gelo)! Tremem, olham mil vezes pra todos os lados, correm muito, cavam, fuçam o tempo todo, é muito engraçado de ver. Eles saem correndo, aí param no meio do caminho, olham pros lados, aí continuam correndo mais um pouquinho, param de novo, olham pros lados e continuam. Bizarro. Às vezes um pula na janela do CNL e quase me mata do coração. Tem acontecido mais de uma vez por dia ultimamente.

Mas a melhor aconteceu ontem. Eu tava indo em direção ao Marie Mount e resolvi cortar caminho pela grama. Mais adiante, na minha frente, tinha um esquilo parado de costas pra mim com uma noz na boca. Continuei andando e acho que o pobre do bichinho tava distraído e não viu que tinha alguém vindo. Ele só se deu conta quando eu tava em cima dele, e aí foi um deus-nos-acuda: o bichinho deu um pulo, um gritinho (um guincho, na verdade, mas muito alto e agudo, parecia gritinho de bebê) e saiu em desabalada carreira em direção à árvore mais próxima, gritando muito ao longo do caminho. Aí ele chegou perto de uma árvore e deitou em cima da raiz, com a bundinha pra cima grudada na árvore e a cabeça pra baixo, com a noz na boca e muito ofegante. Ficou imóvel até eu passar. Acho que ouvi até um suspiro de alívio quando terminei de passar.

Porque eu sou uma predadora natural dos esquilos. Vocês sabem.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Nota social

Feliz aniversário pro pai que é só meu!







Agora na exclusiva versão Conselheiro do Grêmio!

sábado, 25 de setembro de 2010

Alexandria

Sábado passado fomos pra Alexandria, cidade mega-hiper-ultra histórica no estado da Virginia. Por que só estou falando disso hoje? Porque não tive tempo de postar antes, oras!

Primeiro comentário: dá pra chegar lá de metrô. Sim, o mesmo metrô que passa aqui em Maryland passa em DC e vai até a Virginia. É quase como se desse pra ir de metrô de Passo Fundo até Cascavel. Com o cartão Smartrip, que é um cartão de passagem tipo o bilhete único de São Paulo ou o TRI de Porto Alegre, a viagem toda custa US$3,25: um ônibus e duas linhas de metrô. Mas é interestadual. Muito bom!

Segundo comentário: fez um dia absolutamente lindo! Tivemos muita sorte: sol, mas nada de calorão, tava até friozinho quando saímos de casa (10ºC às dez pras 8 da manhã). Chegamos em Alexandria por volta das nove da manhã. O metrô te deixa na King Street e aí é só seguir por ela até chegar no rio. No meio do caminho fica todo o centro histórico.

King Street e o metrô ali atrás

Como tava friozinho e tal, resolvemos parar pra tomar um café numa cafeteria local, mesmo sabendo que o resultado não seria dos melhores. De fato, o café era uma caca, mais fraco que uma pulga subnutrida. Mas o lugar era bem bonitinho:


Continuamos andando em direção ao rio. A cidade é encantadora, realmente muito charmosa: muitas lojinhas de arte e decoração, muitas lojas de livros usados, muitas fachadas bonitas:


Quinze quadras depois, chegamos no centro histórico. Nossa primeira parada foi o centro de visitantes, onde tem tudo quanto é tipo de informação pros turistas. Pegamos uns mapas, prospectos de passeios dentro e fora da cidade (por exemplo, a casa do George Washington em Mount Vernon) e aproveitamos pra fotografar a própria casa, que é um imóvel histórico:

Fachada da casa Ramsay - 1749

Eu na varanda da casa...

... e no jardim

Super evento da cidade: dia internacional de falar como um pirata. Ia acontecer no dia seguinte.

Saímos lá de dentro com quatrocentos mil papéis e rumamos até a antiga fábrica de torpedos, que agora é um grande ateliê de arte de frente pro rio.

É um megaprédio!

Como vocês podem constatar

Ruim, né?

"calçadão" de Alexandria

Dentro do prédio tem um "museu" de arqueologia muito pequeno e três andares de estandes de artistas de todos os tipos (até um de pintura em seda muito impressionante, mãe).


Andando lá por dentro nos deparamos também com isso:

A máquina de refrigerante mais antiga do mundo

Na verdade tem mais de uma espalhada pelo prédio. Nós paramos numa outra que tinha ginger ale. Tudo por um dólar. Sapequei um dólar e saí feliz com uma ginger ale geladinha. Já o baiano decidiu que ia gastar as moedas, o que nos fez ficar em volta da máquina uns dez minutos enfiando pennies (moedas de 1 centavo) pra pegar o refrigerante. Não posso falar por ele, mas o meu valeu a pena:

I ❤ ginger ale

Saímos da fábrica de torpedos e nos metemos a andar pela beira do rio. Tem um monte de atracadouros e é muito gostoso ficar lagarteando no sol.

Pezinho no Potomac

Avião descendo...

...porque o aeroporto é logo ali

Sim, o Aeroporto Nacional Ronald Reagan é pertíssimo dali. A gente inclusive passou por ele na ida, com o metrô, mas foi impossível tirar fotos :(

Ali do outro lado do rio é Washington. Aquela coisa branca lá no fundo é o Capitólio!


Parece o Brooklyn. Ah, Brooklyn...

Praça central da cidade

Torre da prefeitura. Sim, o prédio é grande demais pra caber numa foto. Sim, eu deitei no chão pra bater essa foto

Paramos no nosso primeiro museu do dia: a Gadsby Tavern. Era uma taverna que depois ganhou um hotel anexo. Dizem que lá esteve o George Washington comendo, e também outros presidentes americanos e personalidades históricas da época. É bem legal a forma como eles conservam tudo, tem objetos da época e simulações em resina do que se comia na época, como se comia, como eram as camas, etc. Por exemplo, na época em que só existia a taverna, o dono tinha quartos pra alugar no andar de cima. Cada quarto tinha duas camas com armação de madeira, estrado de corda e colchão de palha. E diz a guia que em cada cama dessas, certamente menores do que uma cama de casal de hoje em dia, dormiam até
cinco homens. De botas, por medo de roubarem as botas. Os outros que fossem chegando podiam dormir no chão, então um quarto daqueles acomodava até quinze, dezesseis pessoas. Obviamente não tinha banheiro e ninguém lavava os lençóis. Ecaaaaa!


O prédio menor era a taverna e o maior, da esquina, o hotel

Da taverna fomos... almoçar num pub irlandês, pra manter o clima. Na verdade não fazíamos idéia de onde almoçar, aí vimos esse pub, paramos pra olhar o cardápio (sempre tem um cardápio na rua pras pessoas olharem antes de entrar) e um cara que tava passando perguntou se a gente nunca tinha comido lá e disse que era bom e valia a pena. Aí entramos. E descobrimos um pub de outro mundo. Enorme, cheio de decoração típica irlandesa E americana, milhões de fotos do dono do pub, velhinho, ao lado de várias celebridades e figuras públicas importantes dos Estados Unidos, da Irlanda e até o Papa. No som, uma musiquinha irlandesa muito parecida com música do Tirol. Foi divertido.

Algumas das fotos nas paredes

Meu almoço: torta de carne com legumes e purê de batatas. Delicioso!

Depois do almoço entramos por uma ruazinha e nos deparamos com umas casas históricas muito legais.

Prestem atenção: o sobradão é de madeira!

E esse também

E tem uma lâmpada externa de querosene!

De lá fomos pro Apothecary Museum. Tenho que confessar: depois da beira do rio, esse é o meu lugar preferido! É uma farmácia muito antiga, foi aberta em 1792 e fechou em 1933, por causa da crise de 1929. E os donos simplesmente fecharam as portas e deixaram tudo lá dentro: frascos de remédios e ingredientes, móveis, tudo. Então dá pra ver perfeitamente como era a loja, como os caras "montavam" os remédios na hora pro cliente, e como depois de um tempo produziam os medicamentos pra vender em filiais em outros estados.


Eles também vendiam produtos manufaturados por outras empresas, como óculos, mamadeiras...

E Vick Vaporub - vocês sabiam que Vick é velho desse jeito?



Que legal!

Tá, tá, chega de foto e vamo vê o resto...

No andar de cima tem todas as matérias-primas em gavetinhas...

Caixinhas...

E a mesa de trabalho com os fazedores de rótulos, cortadores de rolhas, formas de comprimidos...

Saindo dali fomos na Carlyle House, que é a casa mais importante da cidade. O Carlyle era um britânico que veio pros Estados Unidos tentar a vida e ficou rico. A casa dele é, ora pasmem, um museu!


Interessante que até trinta anos atrás essa casa tava completamente destruída e invadida por famílias que moravam aí mesmo sem ter eletricidade, esgoto ou água encanada. A prefeitura retomou a casa e tá restaurando e montando como seria a casa do Carlyle. Muito bacana. Quando foi construída, a casa era de frente pro rio; agora tem várias coisas entre a casa e o rio, mas o jardim na parte de trás da casa é lindo de morrer e sempre tem casamentos lá, inclusive nesse dia.

Jardim atrás da Carlyle House

Muito lindo!

Tchan!

Tchan!

Tá, sério agora...

Buenas, depois de toda essa cultura resolvemos rumar pra beira do rio pra comprar nossas passagens pro passeio de barco. Sim, passeio de barco! Dentre as várias opções, escolhemos ir até Georgetown, em Washington, de barco, e de lá vir embora. Compramos passagens pro barco das 18:30. Eram 17:15, então resolvemos sentar no lounge bar do restaurante que tem na beira do rio, pedir uma garrafa de vinho branco e um tira-gosto de caranguejo, que é super típico de toda essa região.

Restaurantezinho meia-sola hehehe

Passando mal...

Caranguejo com quejo hehehe

Às seis e meia entramos no barco pro passeio. Tava um fim de tarde infinitamente lindo, e apesar de o volume do sistema de som do barco estar tão baixo que não deu pra ouvir nada, foi bem legal. Algumas fotos pra vocês morrerem de inveja:



Avião chegando pra pousar no Ronald Reagan



O obelisco

Lincoln Memorial

Chegando em Georgetown

Washington by night

Descendo do barquinho :)