domingo, 19 de dezembro de 2010

Arlington Cemetery

Pois como eu ia dizendo uns posts atrás, depois da frustradíssima "visita" ao Pentágono lá fomos nós pro Arlington Cemetery. Fica a uma estação de metrô de distância do Pentágono, mas como tava um frio de rachar, achamos melhor pegar o metrô do que sair caminhando na beira do rio.

O Arlington Cemetery é um cemitério militar. Quem já assistiu algum filme relacionado a alguma guerra deve ter se deparado com pelo menos uma cena num cemitério cheio de lápides brancas, idênticas, enfileiradas. O Arlington também é assim. 

Mas estou me adiantando. A gente desce da estação do metrô praticamente dentro do cemitério. Lembram do Lincoln Memorial? Pois bem. O Arlington fica exatamente atrás do Lincoln Memorial, mas do outro lado do rio. 

chegando no cemitério
A primeira coisa que a gente faz quando chega no cemitério é ir ao centro de visitantes. Lá a gente pega mapinhas pra achar os pontos de interesse dentro do cemitério (que nem no cemitério da Consolação!), tem banheiro e gift shop. A gift shop é interessantíssima, tudo que vocês possam imaginar relacionado aos militares, marinha, aeronáutica, guerras e ao JFK, que tá enterrado lá. Tem até fac-símile da edição do jornal do dia em que ele morreu!

Aliás, falando na morta do JFK, vocês sabem que os nossos amigos americanos adoram uma teoria da conspiração, né? Pois então. Existem várias tentativas de relacionar o assassinato do JFK com o assassinato do Lincoln: "18 semelhanças entre as mortes de Lincoln e JFK", "Lincoln - JKF connection", "Lincoln e JFK: coincidência?" etc etc. Curiosamente, o túmulo do JFK fica no alto do cemitério, exatamente alinhado com o Lincoln Memorial. E o tiozinho que tava atendendo da gift shop só pode ser descendente do Lincoln, tamanha a semelhança. Quase pedi pra tirar uma foto com ele.


Enfim, pegamos nossos mapinhas do tesouro e saímos cemitério afora. 



Logo na entrada tem um memorial muito bonito:




Nossa primeira parada foi o túmulo dos Kennedy. Ele fica numa parte bem alta do cemitério e a vista é linda. 


mais pra cima, a Arlington House. já falo mais sobre ela

a vistinha mais ou menos da família Kennedy

tão vendo aquela fumacinha lá no fundo? aquela
construção é o Pentágono. foi a melhor foto que eu
consegui tirar...


Não tirei fotos do túmulo (achei meio desrespeitoso bater fotos), mas achei uma na internet pra mostrar pra vocês:




É bem simples: é uma pedra grande no chão, com uma pira no meio que fica sempre acesa. Lá estão enterrados, além do JFK, a Jackie Kennedy e dois filhos deles: uma menina que nasceu morta em 1956 (não tem nome na pedra, só diz "filha") e um menino, Patrick, que nasceu em agosto de 1963, três meses antes do assassinato no JFK, e viveu dois dias). Eu não sabia que eles tinham tido esses dois filhos, sempre achei que fossem só o John John (que não tá enterrado lá porque foi cremado depois do acidente aéreo) e a Caroline - a única sortuda sobrevivente dessa família. Também estão ali por perto o Ted e o Bob Kennedy, o que me fez pensar em como a sina dessa família foi triste. Credo. 


(Ah sim, dois comentários sobre o túmulo da Jackie. Na pedra diz "Jacqueline Bouvier Kennedy Onassis". Comentário número 1: sempre achei muito estranho ela manter o sobrenome de viúva e tascar o do segundo marido por cima. Comentário número 2: por que ela foi enterrada com o JFK e não com o Onassis? Isso, mais o lance do sobrenome, me faz pensar que o Onassis realmente foi um marido-tapa-buraco. Coitado...)


Saindo dali fomos pra Arlington House, que fica na parte mais alta do terreno. Aí ficamos sabendo que a área do cemitério era uma propriedade privada que tinha a casa, uma plantação, casa de escravos e tudo o mais. Não visitamos a casa porque ainda não tava aberta (abria às 9:30 e a gente chegou na casa às 9 - viram como a gente madrugou?). Mas tem algumas fotos da casa e da vista impecavelmente linda pra vocês verem:



aquele negócio branco reto na frente é o Lincoln Memorial;
mais pro lado o obelisco, e bem no cantinho o Capitólio 





Andamos um monte pelo cemitério, mas tava tão frio que não deu muita coragem de tirar a mão do bolso pra bater foto. Mas as áreas mais antigas não têm lápides todas iguaizinhas não: tem lápides de todas as formas e tamanhos, inclusive alguns obeliscos. Aliás, eu bati algumas fotos nos túmulos dos soldados desconhecidos da guerra civil e etc, mas elas desapareceram da minha câmera. Não sei o que aconteceu. 


De todo modo, a coisa mais legal tá registrada e vem agora. Foi a última coisa que fomos olhar antes de ir embora: o novo anfiteatro (bati fotos do antigo, mas elas sumiram da câmera) e arredores.


anfiteatro

memorial aos mortos no ônibus espacial
Columbia...

... e no Challenger

mais uma do anfiteatro

dentro do anfiteatro, com vento...

... e sem vento

detalhe do teto
Pra quem não sabe ou não lembra, o Columbia foi o primeiro Space Shuttle da NASA. Fez a primeira missão em 1981 e depois disso mais 27, mas se desintegrou ao reingressar na Terra ao fim da missão de nº 28, em 1º de fevereiro de 2003, matando os sete tripulantes. O Challenger foi o segundo Space Shuttle da NASA. Ele foi lançado pela primeira vez em 1983 e completou 9 missões antes de se desintegrar 73 segundos depois de ser lançado em 28/01/1986, também matando os sete tripulantes. (Moral da história: todos os space shuttles vão de desintegrar em algum momento. É só uma questão de tempo.)


Depois de ver o anfiteatro por dentro, fomos dar a volta nele e descobrimos que o que vocês viram nas fotos aí em cima é a parte de trás. E descobrimos também que somos muito sortudos!


Explico: na frente do anfiteatro fica o túmulo aos soldados desconhecidos da segunda guerra. E junto ao túmulo fica sempre um guarda. E nós chegamos segundos antes da cerimônia de troca da guarda. Filmei quase tudo, mas peço perdão pelas tremidas e pela péssima qualidade geral do filme. Minha mão quase congelou pra que esse filme pudesse chegar até vocês.


o guarda que estava prestes a ser substituído




Achamos que tinha acabado e saímos. Daí olhamos pra trás e vimos que ainda tava rolando um monte de cerimônias, com direito a trombetas e tudo o mais. Mas não voltamos, afinal tava muito frio e precisávamos chegar na biblioteca pra estudar. Mas aí vão mais algumas imagens pra vocês.


a parte da frente do anfiteatro, com o túmulo e os guardas

passarinhos vermelhos, gordinhos, esquisitos e meio
mal-encarados

tá bom assim de frio pra vocês?

o anfiteatro mais de longe. deve ser lindo no verão.

James?

sábado, 18 de dezembro de 2010

Sem espaço para fotos

Então eu tava escrevendo o post sobre o Arlington Cemetery e o Blogger fez o favor de me avisar que a minha cota para fotos a-ca-bou e se eu quiser postar mais fotos no blog eu preciso comprar espaço. Preciso ver como é que eu resolvo isso, afinal, além das fotos do Arlington ainda tem as fotos da nevasca de quinta, das duas festas que eu fui essa semana, e todas as fotos futuras da Holanda.

Agüentem aí que eu vou tentar dar um jeito nisso! 

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O pós-neve

Caros leitores, hoje eu posso dizer tranqüilamente que nunca tinha passado tanto frio na minha vida até poucas horas atrás. Como vocês viram no post anterior, amanhecemos nevados. Foi uma surpresa e uma emoção olhar pela janela e ver tudo branquinho branquinho.

Saí preparada pra enfrentar o frio - ou assim pensei, ingenuamente: duas meias-calças de lã, uma meia de lã curta, calça de lã, segunda pele, camiseta gola alta, blusa de lã, capa, cachecol, touca, luvas de camurça, bota até os joelhos. Praticamente vestida pra uma expedição à Antártida, vocês devem estar pensando. Eu também estava pensando isso, mas o pensamento se dissipou no primeiro golpe de vento que eu tomei na rua, o que foi mais ou menos meio segundo depois que eu pus o pé pra fora do edifício.

A temperatura tava -3ºC (é o que tá fazendo agora, enquanto eu escrevo). A sensação térmica, por causa do vento, tava em -11ºC (também é a sensação agora). Ficar dez minutos esperando o ônibus foi um martírio; meu pé, coitado, congelou loucamente. As minhas botas de couro, que são infalíveis no inverno gaúcho, não dão nem pra isca no frio daqui. Meu tênis também não resolve muito, porque é de tecido e o frio entra direto. A solução é sair com essas botas horríveis que parecem pantufas, que todo mundo usa por aqui. Mas eu me nego a comprar um troço que, além de horroroso, nunca mais eu vou usar na vida a menos que eu me mude pro hemisfério norte.  

O que é uma droga, já que o que mais tem me incomodado nesses dias frios é o pé congelado, porque eu realmente sinto que a circulação se interrompe, meus pés ficam formigando, e eu tenho medo de perder um pé (ou os dois, ou algum dedo que seja). O frio no rosto também incomoda bastante quando venta, porque por mais que a gente enrole a cara no cachecol não fica bem protegido e eu volta e meia entro nos lugares com o rosto roxo. Roxo combina com o meu tom de pele, mas o meu tom de pele, quando roxo, não combina muito bem comigo... rs.

Enfim. Enquanto esperávamos o ônibus, aproveitamos pra tirar umas fotos na neve:






Pois é. A neve é muito linda. Eu tou encantada, passei o dia inteiro olhando as nevinhas amontoadas no meio-fio (sim, tem um pouco de neve acumulada até agora; pra vocês terem uma idéia de como ficou frio o dia todo). Mas vou falar pra vocês: antes de qualquer coisa, parei no shopping e comprei um casaquinho de plush bem baratinho e bem quentinho pra colocar entre a capa e as outras roupas. Aí consegui me sentir um pouco mais gente, apesar do pé que insistia em congelar. 

A máxima durante o dia não passou de -1ºC. Mesmo assim seguimos o combinado: ir até Adams Morgan (uma região histórica aqui de DC), almoçar no restaurante etíope (recomendação do nosso orientador brasileiro) e depois rumar pra biblioteca do congresso pra ler mais um pouco dos livros. Fomos até Dupont Circle de metrô e de lá pegamos um ônibus. A espera pelo ônibus foi uma tortura pros meus pés. Achei que eu ia ter um troço, mas sobrevivi. Chegamos em Adams Morgan e constatamos que é verdade o que dizem: é um lugar completamente multicultural. Tem restaurante de tudo que é etnia, um do lado do outro, e várias lojinhas idem, que a gente não viu porque estávamos com frio, com fome e com um pouco de pressa. Mas o lugar é bem bacaninha. Se eu tivesse mais tempo, valeria uma visita com mais calma, mas como tou indo embora, vai ter que ficar pra próxima vez que eu vier pros Estados Unidos.



tem até o Beto Carrero hehehehe

Logo de cara achamos um restaurante etíope, e como não fazíamos a menor idéia de que cara deveria ter um bom restaurante etíope, concluímos que não fazia sentido procurar outros. Entramos e uma moça muito etíope, provavelmente vestida a caráter (um vestido de algodão branco que lembrava roupa de umbandista - não sei como ela não tava morrendo de frio), veio nos atender. Escolhemos uma mesa e começamos a tentar decifrar o cardápio.

fachada do restaurante - parece que é um dos melhores
etíopes em DC

Ah, sobre as mesas. Sabe esses cestos que os índios vendem por aí no Brasil? As mesas eram feitas desse mesmo material, e muito baixas, mais ou menos na altura dos joelhos da gente. Na verdade as mesas pareciam grandes cestos com uma toalha avermelhada por cima. Do lado tinha uma mesinha auxiliar, de madeira, que depois descobrimos que era pra apoiar os copos.

Acabamos pedindo lá um prato que era pra duas pessoas, chamado meskerem messob. Pelo que conseguimos decifrar (ou seja, o que não tava escrito em "etíope") o prato tinha frango, gado e cordeiro. O resto era uma sucessão de nomes de comidas e ingredientes etíopes sem nenhuma explicação sobre o que eram. Como a ignorância é uma bênção, especialmente quando se trata de ingredientes obscuros de culinárias exóticas, achamos melhor nem perguntar muito.

Quando veio a comida, era um pratão enorme (do tamanho da mesa) com vários "montinhos": um de carne, dois de frango, um de cordeiro e os outros dois só deus sabe o que eram. Tudo isso em cima de uma massa fina, meio cinza, parecendo uma panqueca meio crua, esponjosa, que é o pão deles. Vieram também outros três pães enroladinhos num prato separado. E nenhum talher. Moral da história: come todo mundo do mesmo prato, e a gente pega pedaços daquele pão e usa pra agarrar uma porção de comida.

Eu confesso que achei bem estranho. O pão, que se chama injera,  tinha uma cara estranha, a comida tinha uma cara estranha e o sistema, bem, era "pouco ocidental". Mas devo dizer que a comida tava bem gostosa, eu comi um pouco de cada montinho e gostei de todos. É bastante temperada, mas não é muito apimentada. É diferente. E como já faz quase doze horas que eu almocei e não me deu nenhum piriri, dá pra concluir que é uma comida segura.

Lá pelas tantas chegou o dono do restaurante e perguntou se tava tudo bem. A gente falou que era nossa primeira vez num restaurante etíope, que éramos do Brasil, e aí ele explicou que o pão é feito com um grão chamado teff (não achei tradução), que não tem glúten. E falou que da próxima vez tínhamos que provar o vinho de mel, que pelo jeito é um clássico etíope. Eu fiquei pensando que devia ser parecido com o hidromel. Depois fui ler na internet e parece que é mesmo :)

Saímos do restaurante direto pro Starbucks. Um copão de café e um lemon pound cake (minha mais nova paixão gastronômica) depois, estávamos prontos pra ir pra biblioteca. Ah, tem mais fotos clandestinas da biblioteca pra vocês verem! Tirei nos outros dias que eu fui lá e não contei pra vocês. Fui várias vezes na última semana, já tou tri insider, cumprimento os funcionários e não me perco mais nos túneis e labirintos. E consegui até capturar o relogião:

de longe, mas consegui!



Bom, mas como eu sou muito curiosa, cheguei em casa e fui catar informações sobre a comida etíope. Na verdade, um pouco eu já tinha lido no cardápio: os etíopes realmente compartilham o prato e comem com as mãos, usando o injera como "talher". Comer no mesmo prato é sinal de confiança, e inclusive, pelo que eu li no cardápio, não é incomum uma pessoa dar comida na boca da outra. Mas achei outras informações e algumas fotos, pra quem se interessar:

teff

foto do meskerem messob servido no Meskerem

injera

nessa foto dá pra ter uma idéia de como são as mesas

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Das surpresas dessa vida

Então eu acordei cedo e fiquei me amarrando um pouco na cama, porque tá um frio louco (sensação térmica -11ºC, máxima prevista pra hoje -1ºC). Mas finalmente levantei, porque tinha que me arrumar pra sair. Fui dar a costumeira espiadinha na janela, pra ver a cara do tempo, e adivinha o que tinha lá fora?


Pentágono, pra que te quero

Desde que eu cheguei eu queria ir conhecer o Pentágono. A vontade aumentou quando eu passei pela primeira vez pela estação de metrô do Pentágono. Sim, dá pra ir de metrô! Eu sempre achei que o Pentágono fosse mega isolado, numa ilha cheia de arame farpado e crocodilos farejadores de terroristas. Não é.

Mas como nem tudo são flores, rapidamente descobrimos que só americanos podem visitar o interior do Pentágono, e precisam agendar a visita com uma semana de antecedência. Não-americanos podem visitar, mas pra isso precisam contatar as suas respectivas embaixadas. Fico imaginando que chamam a gente pra uma entrevista na embaixada, daquelas numa sala escura com uma luz direto no olho da gente, perguntando "onde você estava no dia 11 de setembro de 2001?" e coisas do tipo. 

Decidimos, então, pegar o metrô, descer no Pentágono, dar uma volta por fora dele, bater umas fotos e tal, e de quebra visitar o Arlington Cemetery, o cemitério militar, que é ali pertinho.

Pois bem. Saímos cedo, acho que por volta das 7:30, um frio de renguear cusco, e fomos bem felizes pro Pentágono. Doce ilusão! A gente desce do metrô, sobe a escada e dá de cara com o ponto de ônibus e uma placa imensa dizendo que é proibido fotografar. Objetivo número 1: frustrado. Ok, vamos então dar uma volta. Pra esquerda, um portão de acesso com um militar mal-encarado de cada lado e uma placa bem grande dizendo que só pode entrar funcionário identificado ou visitante com hora marcada. Ah, e uma placa indicando que lá dentro não pode fotografar, nem entrar com explosivos, bombas, armas ou facas. Ah, bom... Peraí, deixa eu jogar a minha granada ali no lixo e já volto.

Fomos, então, pra direita. Vinte passos depois, mais um portão com mais gente mal-encarada e um aviso: dali pra frente, só militares autorizados. Bom, mas então vamos pelo menos ver a fachada do Pentágono. Não dá; tem uma tela de arame alta, com arame-farpado em cima e um pano verde, desses de isolar construção, tapando tudo. Objetivo número 2: também frustrado. Tudo o que conseguimos ver (mas não pudemos fotografar) foi uma pedra em homenagem às vítimas do atentado de 11 de setembro e uma casinha de passarinho ecológica, presente (de grego) do governo do Canadá.

Em resumo, nossa visita ao Pentágono não durou nem cinco minutos. Foi uma das maiores decepções da minha vida! Ainda bem que a gente tinha programado a visita ao cemitério; foi o que salvou o dia. No próximo post eu conto tudo sobre ele.

Da série: o mundo maravilhoso dos supermercados americanos



Pra que comprar os limões e espremer o suco se a gente pode comprar um limão de plástico cheio de suco, não é mesmo?

Nota: não me espantaria descobrir que quem compra isso paga com cartão de crédito pré-pago, também disponível nas melhores casas do ramo. 

sábado, 11 de dezembro de 2010

Mount Vernon

No sábado passado, resolvemos ser machos, encarar o frio matinal e nos tocamos pra Mount Vernon. Mount Vernon é uma propriedade rural imensa na qual morava George Washington, o primeiro presidente americano. Fica na Virginia, bem perto de Alexandria (como vocês devem lembrar, eu já contei pra vocês que Mr. Washington costumava dar uma banda em Alexandria). Mount Vernon também é uma cidadezinha na Virginia, no condado de Fairfax, mas a propriedade Mount Vernon não fica na cidade Mount Vernon, apesar de nós termos passado pela cidade Mount Vernon pra chegar na propriedade Mount Vernon. Sim, é bem confuso.

De todo modo, saímos de casa às sete da manhã, sob um frio inclemente, pegamos um ônibus até o PG Plaza, de lá o metrô e depois mais um metrô. Descemos na última estação da linha amarela, a Huntingon, onde tínhamos que esperar uns bons 40 minutos pelo ônibus que nos levaria, finalmente, até Mount Vernon (a propriedade), passando por Mount Vernon (a cidade). Tava um frio impossível e ficar 40 minutos parados na rua não era uma possibilidade. Saímos a cata de um café ou qualquer outra bebida quente dentro de um ambiente fechado. Felizmente depois de uns poucos passos encontramos um 7-Eleven. O café é uma merda e não tem lugar pra sentar, mas demos uma disfarçada, ficamos olhando os produtos nas prateleiras e ficamos quentinhos até a hora de pegar o ônibus. Olhando os produtos nas prateleiras, descobrimos um negócio pra aquecer as mãos. Funciona assim: são dois saquinhos com algum tipo de reagente químico dentro. A gente pega cada saquinho, sacode pros químicos reagirem, e coloca dentro das luvas. Se parar de funcionar, é só sacudir de novo. Confesso que fiquei curiosa pra tentar, mas resolvi não gastar US$1,99 com isso. 

(Parênteses: eu estava vestindo meia-calça de lã, meia de algodão até o joelho, meia de lã peludinha, calça jeans, tênis, segunda pele, camiseta de gola alta, blusão de lã de gola alta, cachecol e a minha super capa. E touca e luvas, evidentemente. E ainda assim tava frio.)

Bom, no fim das contas quase perdemos o ônibus (hehehe). O bendito dá voltas e mais voltas pela cidade inteira, inclusive passando mais de uma vez pelo mesmo lugar. Quarenta e quatro minutos depois, estávamos desembarcando em Mount Vernon (a propriedade).


a entrada da propriedade


Quinze dólares depois, estávamos no centro de visitantes. Lá dá pra assistir um filminho de 20 minutos sobre como George Washington conheceu a Martha, venceu a Guerra Revolucionária e se tornou presidente. 

tem também o mapa da propriedade (que a gente também
ganha num folhetinho pra não se perder lá dentro)

e uma estátua da família Washington

e vitrais muito bonitos

e uma maquete da casa principal

Depois de ver o filminho (fãs de Fringe: o George Washington do filminho era o Newton!), saímos pra explorar a propriedade. A primeira coisa que a gente viu foram umas tendas armadas imitando os acampamentos na época da guerra. Dentro de um deles, duas tias vestidas a caráter passam o dia inteiro explicando pras pessoas como se fazia chocolate e como se consumia chocolate. No mesmo lugar, estavam o camelo de Natal e o peru do Thanksgiving. O peru do Thanksgiving até dá pra entender, mas o camelo é, digamos, peculiar. Reza a lenda que o Washington mandou trazer um camelo na época do Natal, uma vez, pra "entreter os convidados". 

Aladin, o camelo de natal


eu e o camelo

o peruzão


a casa principal

mais casa principal

panorâmica de parte da propriedade

a casa principal e o bowling green (essa área verde imensa
na frente, ou melhor, atrás, porque essa é a parte de trás
da casa)

Quando o George Washington herdou a propriedade, a casa principal era só a parte do meio e tinha só um andar. Depois ele fez os andares superiores, e mais tarde ele fez as duas alas laterais.

Em volta da casa tem uma série de casinhas que serviam pra uma série de coisas, desde casa pros escravos até ferraria.  

necessity - internacionalmente conhecida
como "casinha"

as casinhas sem aspas, que serviam pra um monte de coisa

essa era pro sal

"spinning room" - onde o Washington se exercitava hehe



vista lateral da casa principal

ferraria

eles tavam demonstrando como fazer pregos

essa árvore, na frente da casa, existe desde o tempo
do Washington

vistinha mais ou menos da varanda

mais uma da vista espetacular




a fachada da casa
Dentro da casa mesmo não pode fotografar nada, mas tivemos a maior sorte: porque é época de Natal, eles tavam deixando a gente visitar a casa toda, inclusive o terceiro andar, que nunca fica aberto ao público.

casinha de defumação


casinha da lavanderia


garagem do Seu Washington

aqui era onde secavam a roupa no verão

a caranga do Washington


Nos arredores da casa tem também uma horta, um jardim, vacas, ovelhas, cabritos, galinhas e tudo o mais que uma fazenda deve ter. Infelizmente, como é inverno, não tem nenhuma florzinha ou verdurinha pra contar a história. 


Indo em direção ao rio, tem o mausoléu original onde a família foi enterrada e o atracadouro, que antigamente servia pros escravos saírem pra pescar e hoje serve pros barcos turísticos atracarem.



indo em direção ao Potomac

atracadouro

"nesta carrocinha George Washington comeu seu
primeiro cachorro-quente" hehehe


Mais adiante, perto do rio, tem mais plantação, bichos e o silo. E também uma trilha pra um passeio no meio da floresta, cheia de placas com informações sobre a flora e a fauna nativa.


um esquilo!

o silo

até os bichos têm uma vista privilegiada... rs

o silo

trilha no meio da floresta

arvorezona caída
Saindo da trilha, fomos até o outro lado da propriedade, onde fica o novo túmulo da família, construído no local designado pelo George Washington.

sempre achei que os obeliscos fossem pro
George e pra Martha, mas não são. são
pra outros membros irrelevantes da família

túmulos do George e da Martha. o resto da família tá
atrás da portinha de ferro

o túmulo por fora

memorial dos escravos, construído em
1983 no local em que presumivelmente
estão enterrados os escravos da família

memorial dos escravos

túmulo simbólico feito em 1929


Percebam que no memorial de 1983 diz "afro-americans" e no de 1929 diz "colored servants". Também é interessante que o Washington tinha quatrocentos mil escravos enquanto estava vivo, mas no testamento ele libertou todos os escravos. Quer dizer, ele viveu no bem-bom, e depois de morto deixou a família se ferrar com os afazeres da propriedade hehehehe. 

Finalmente, voltamos até a tenda do chocolate, porque das 14:30 às 15:00 ia ter distribuição de amostras de chocolate-quente e a gente não queria perder.



tomando chocolate-quente George Washington style.
honestamente? não era muito bom... rs
Por fim, fomos ver o museu. Não tem muita coisa e não pode tirar fotos, mas é legalzinho. A única coisa fotografável lá dentro era uma réplica da casa principal feita de gingerbread.




Depois do museu, passamos na lojinha de presentes. Tinha MUITA coisa, acho que é a maior loja de presentes que eu já vi. Por fim, ficamos um tempinho congelando no ponto de ônibus e iniciamos nossa loooonga jornada de volta pra casa.

Detalhe interessante: pela primeira vez em muitos e muitos dias meus pés não congelaram, graças à meinha de lã que eu tinha comprado na Target. Nem pensei duas vezes: na volta dei uma passadinha na Target e comprei mais duas, e uma delas vai até o joelho. Desde então sou uma pessoa mais feliz e mais quentinha! :)