quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A tal da feijoada

Hah! Agora que eu já inaugurei o café, deixa eu contar:

Faz tempo já que eu sabia que tem uma área "de brasileiros" aqui por perto. Confesso que não tinha tido interesse nenhum em descobrir onde era, afinal de contas tou aqui por pouco tempo e não morro de saudades do Brasil. De mais a mais, tenho a minha cota diária de brasileiros (o baiano) e falo português todo dia. Comida brasileira eu mesma faço, dentro das limitações de ingredientes. Quer dizer, não tinha por que me abalar pra ir conhecer uma comunidade de brasileiros em vez de conhecer coisas que só tem aqui.

Mas, né, eu moro com uma pessoa insistente que queria porque queria ir num restaurante brasileiro. Restaurante brasileiro aqui por essas bandas é sinônimo de churrascaria (que orgulho!) e custa uma fortuna, em torno de US$50. Quer dizer, nem a pau. Aí resolvi dar uma pesquisada e descobri que nessa zona de brasileiros, que se chama Wheaton, tem uma padariazinha que serve feijoada por quilo no sábado. E lá fomos, na véspera das eleições: eu, o baiano, a Azadeh e uma amiga dela.

O lugar é pequenininho, mas decente. A feijoada é boa, tinha couve refogada e até palmito. Só senti falta da farofinha. De sobremesa tinha pudim e negrinho (brigadeiro, para os não-pampeanos). A parte de padaria tem cacetinho (pão francês, pros não-pampeanos), sonho, rosca, pastel de banana com canela e todas essas coisas bem brasileiras. A tv tava ligada na Record Internacional, mostrando cenas do carnaval (!). A maioria avassaladora dos freqüentadores é de mineiros, não precisa nem conversar com eles pra saber de onde são. Mas tinha um cara que é marine, filho de pai americano e mãe gaúcha que "sempre morou ali pela Protásio". Claro que esse cara ouviu a gente falando inglês e achou que as iranianas eram brasileiras e eu, americana (pela cara e pelo sotaque).

As prateleiras são cheias de produtos brasileiros: biscoitos, caixa de bombom, Bis, canjica, fubá, milho de pipoca (aqui só existe pipoca de microondas e pipoca pronta em saquinhos), erva-mate Madrugada, leite Moça e até tempero Arisco. E café! Sim, café brasileiro, café de verdade, não esse pozinho tingidor de água que tem por aqui. Não tinha Melitta, só café Pilão, café Caboclo e café 3 Corações. Comprei dois pacotes do último, embalado a vácuo e não essa coisa que vem em latinhas, pela bagatela de US$6,99. Não é muito mais caro do que eu vinha pagando pelo café "local".

Então essa semana eu inaugurei o tal café. Não é igual ao Melitta, mas pelo menos preteia o leite (o café daqui, se tu colocar um pingo de leite dentro fica branco), tem cheiro de café decente, é moído fininho e o gosto é bem melhor do que qualquer café que eu tenha tomado aqui. Tou bem feliz!

Comprei também uma lata de leite Moça pra fazer negrinho e levar pro pessoal do laboratório. O problema é que aqui Nescau não existe, só Nesquik, mas eu não gosto de Quik. Comprei um outro de uma marca mais sofisticada, era o único que vinha em uma embalagem que eu tenho alguma chance de conseguir consumir até o final de dezembro. Mas não é igual ao Nescau.

E pra quem tá se perguntando: não, não tinha sabão em barra...

5 comentários:

Eduardo disse...

O café deles é uma água suja mesmo... blargh!!

Clark disse...

Esqueceu de dizer que, no final das contas, a “pessoa insistente” comeu... MACARRÃO e nem tocou na feijoada!

Leo disse...

é que macarrão é uma comida tão tipicamente... brasileira né?

Vida disse...

E desodorante tinha?

Leo disse...

não... aqui loja de comida só pode vender comida. não tem essa de secos e molhados... hehehe