sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Não sou mais pobre :)

Então que na segunda-feira as super-secretárias do UIL OTS (Utrecht University of Linguistics, vulgo "meu departamento") me pediram pra passar lá pra falar com elas. O detalhe é que segunda-feira choveu o dia inteiro e eu não tava a fim de molhar, então resolvi ficar trabalhando no conforto e aconchego do lar.

(A verdade é a seguinte: chuva aqui significa garoa. Quando eu digo que aqui chove muito é porque chove o dia todo, às vezes por vários dias seguidos; mas é sempre garoa. Até agora não vi uma chuva "de verdade". E ninguém aqui usa guarda-chuva quando chove! Não sei se é porque a chuva é fraca ou se é porque eles tão acostumados com o fato de que sempre chove ou se é porque é muito difícil pilotar uma bicicleta e segurar um guarda-chuva ao mesmo tempo. Sei é que eu não gosto de molhar, mas também fico com vergonha de ser a única pessoa em toda Utrecht a estar com o guarda-chuva aberto.) 

Enfim, respondi perguntando se era urgente e a Mariëtte disse que era sobre o meu dinheiro, mas que não era urgente e podia ser no dia seguinte sem problemas. Achei que se eu saísse de casa só pra isso ia parecer a mais desesperada das desesperadas, então deixei pra terça. 

Ocorre que a coisa não é tão simples. Em primeiro lugar, o dinheiro fica num órgão da universidade e eu tenho que ir lá buscar com um formulário devidamente preenchido. Em segundo lugar, não posso pegar todo o dinheiro de uma vez só porque existe um limite na movimentação financeira diária que esse órgão pode fazer. Em terceiro lugar, a pessoa da nossa área que devia assinar o formulário junto comigo não estava lá nem estaria tão cedo porque tá doente. Em quarto lugar, a pessoa que cuida do dinheiro não podia me atender na terça porque estaria em reunião e sabe como é, aqui é tudo com hora marcada, pompas e cerimônias. Me pergunto quando conhecerei a família real. Enfim, não ia rolar pegar o dinheiro. Mas aí a Yvonne foi falar com o Martin, que além de ser um lingüista foda é o diretor do instituto, pra ver se ele podia pelo menos deixar o formulário assinado, porque ele é o diretor e a assinatura dele valia. 

Moral da história: ela voltou lá de dentro com o formulário assinado, pegou uma chave, abriu uma portinha onde tinha uma caixinha com vários euros e me deu alguns. Não sei se foi idéia do Martin, só sei que achei ótimo não ter que andar por aí à cata da tesouraria da universidade pra depois sair de lá de dentro com "eu tenho euros, me assalte" escrito na testa. Assim eles se ressarcem depois e eu não precisei me incomodar. Não sei se vai ser assim sempre, mas achei legal me quebrarem o galho mesmo sem eu ter pedido. Pelo contrário, com essa história do dinheiro eu tou toda hora falando que tá tudo tranqüilo por enquanto, não fiquei pentelhando ninguém porque é como eu disse, as pessoas todas me pareceram muito preocupadas com isso e eu não queria dar motivo pra se preocuparem mais. Só preenchi o formulário dizendo que eu concordava com o valor que me deram e corri pro abraço.

Impulso número 1: correr numa loja de sapatos e comprar vários sapatos-boneca, botas e bolsas de couro legítimo.

Impulso número 2: correr numa loja de roupas e comprar várias camisas, saias, aquele vestido de seda que chama meu nome todo dia de manhã na vitrine da loja, calças de alfaiataria e cachecóis, muitos cachecóis e essas boinas lindas que elas usam por aqui.

Impulso número 3: sentar e trabalhar. É, foi o que eu fiz. Trabalhei até as quatro e meia, depois tomei o rumo de casa. Mas como eu tava feliz porque né, agora eu tenho dinheiro, resolvi ir pro outro lado. Explico: eu sempre saio da universidade e pego a esquerda na Trans, depois esquerda de novo pra Achter de Dom, continuo pela Domstraat e subo reto até a Janskerkhof, onde eu pego o ônibus. Por esse caminho eu passo atrás do Dom, que é lindo de morrer. Aqui dá pra vocês verem:

a rua mais da esquerda é a Trans; a outra é a
Achter de Dom. Tirei a foto na Kromme
Nieuegracht

Nesse dia saí pra direita e me deparei com um mundo totalmente novo. A primeira coisa que eu vi:

Domtoren

E aí entendi: a torre não fica do lado do Duomo. Ou melhor, fica, mas não fica, tem uma rua que passa entre as duas. 

Dom

a torre mais de perto, pra vocês
verem o tamanho. É a construção
mais alta da Holanda

Dom mais de perto
Eu sei que as fotos não tão legais, tava frio e eu tava sem luvas e tinha muito trânsito de bicicletas e eu sempre tenho medo de ser atropelada porque os caras não têm noção do perigo e andam a mil por hora. Outra hora com mais calma eu tiro fotos bem decentes. Inclusive dá pra subir na torre, hehehe adivinha se eu não vou subir.

Voltei pro meu curso normal na Domstraat, mas aí embestei que queria andar e entrei nas ruazinhas transversais e aí tive que conter meus euros que queriam criar asinhas e sair voando pra fora do meu bolso. Entendam, pra quem passou seis meses morando na Croclândia e na terra do abrigo rasgado, ver roupas e calçados elegantes e bem feitos é um alívio. Ai ai.

Não, não entrei em nenhuma loja. Fiquei andando, vendo o que há de interessante por ali. As ruazinhas são estreitas, como em todo centro histórico de cidades européia, mas aqui a rua é dos carros e a calçada é estacionamento de bicicleta. Os pedestres deviam criar asinhas.

Mas é claro que teve UMA loja em que eu entrei. Não comprei nada, só bisbilhotei (ao menos por enquanto). Ganha um doce quem adivinhar.

9 comentários:

Anônimo disse...

É a da blusa... o nome é... droga eu sempre esqueço...
Aquela que eu gostei mais do vestido hm hm hm tá na ponta da língua... não vou lembrar =( Mais sorte pro povo ae =)

Leo disse...

não, não foi...

Anônimo disse...

então foi na loja da maçã =P

Leo disse...

não.
fico comovida em ver quão bem tu me conhece... rs

Cristina disse...

Só pode ter sido em alguma livraria. Bom, talvez eu esteja pensando em mim e não em ti...

Ana Paula disse...

Ops, login errado!

Ana Paula disse...

Isso que dá deixar outra pessoa usar o computador... Enfim, voto na livraria.

Leo disse...

bingo!

Ana Paula disse...

RÁ!! ;)