quarta-feira, 21 de julho de 2010

Comentários aleatórios sobre a primeira semana, ou Coisas que eu já devia ter contado, mas esqueci

1) Aqui todas as portas dos prédios abrem pra fora: universidade, supermercados, o prédio onde eu moro. Claro que eu sempre dou de nariz na porta primeiro e depois lembro que é pra puxar. Não, não tem escrito pull em todas as portas.

2) Tem várias quadras perto da universidade cheias de fraternidades e sororidades. Pois é, elas existem. São casas enormes umas do lado das outras, cheias de letras gregas na fachada: ∆Eπ, ∑ßµ, ∂EΩ e todas as demais combinações possíveis (obviamente eu inventei essas, mas não duvido que existam). Vou pesquisar qualquer hora dessas pra saber qual o significado de cada sigla, se é que tem algum.

3) Ainda não consegui me acostumar a ser exageradamente educada. Sim, porque na minha concepção de mundo um "oi" ou "tchau" acompanhados de um sorriso sincero são suficientemente educados sem forçar a barra; mas aqui é um tal de "como você está hoje?", "estou ótima, e você, como vai?" "bem, obrigada" e aí a gente pede o que quer que seja pra quem quer que seja. E na saída a mesma coisa: "tenha um bom dia", "obrigada, você também", "obrigada, tchau", "tchau". Putz! E o pior é que muitas vezes a pessoa te pergunta e/ou responde com uma cara de tédio que me convence que o meu "oi" sorridente é muito melhor. Mas tudo bem, vou ter que entrar no embalo.

4) Minha impressão completamente impressionística é que essa universidade só tem indianos, chineses/japoneses/demais-etnias-de-olhos-puxados e negros. Sempre tive um certo receio de ser discriminada por ser brasileira, mas às vezes sinto que eu chamo atenção é por ser branquela de olho claro. É bem diferente do que eu imaginava. Também pelo que eu saquei esse condado (Prince George) é predominantemente de negros, e eles têm comportamento, vestuário e posturas muito características. É interessante observar. Também tem muita gente falando espanhol nos supermercados, é engraçado porque eu entendo tudo e eles nem fazem idéia hehehe.

5) Todo mundo fala que essa área em que eu moro não é segura. A Azadeh me fez mil recomendações de não voltar tarde, de ter cuidado, blablablá. Mas todo mundo deixa os carros estacionados na rua e tem vizinhos meus que deixam as bicicletas das crianças e carrinhos de bebê pro lado de fora da porta do edifício (ou seja, na rua) dia e noite. Aí perguntei o que quer dizer "não ser seguro" e a resposta foi "ah, se tu andar sozinha tarde da noite podem te assaltar". Mas ameaçam te matar? "Não, só pedem dinheiro e celular". Gente, essa é a descrição de vizinhança perigosa por aqui. Quase gargalhei, né, afinal no Brasil se o cara estaciona o carro na rua, noite ou dia, não tem a menor garantia de que ele esteja lá quando tu voltar, e assalto a mão armada acontece a qualquer hora, em qualquer lugar, e mesmo dando tudo o que tu tem nada te garante que tu saia vivo. Claro que a gente tem que se cuidar, mas putz, sutil diferença né.

6) Ainda sobre segurança: hoje na orientação fiquei sabendo que a gente pode pedir escolta policial dentro do campus. Explico. O campus tem uma polícia 24h. Digamos que um dia eu fique trabalhando até mais tarde no meu escritório e queira ir pegar o shuttle. Eu posso ligar pra polícia do campus e pedir pra alguém me buscar no meu prédio e me escoltar até a parada do shuttle, e esperar comigo até o ônibus chegar. É o cúmulo da sofisticação, praticamente um guarda-costas. No Brasil que os campi são matagais sem iluminação e precisaria ter disso não tem.

7) O tempo aqui é louco. Pirado mesmo. Saí de casa hoje com tempo nubladinho, a hora que eu saí da orientação tinha sol, quando saí do Stamp tinha umas nuvens muito ameaçadoramente pretas no céu, e na saída da biblioteca céu limpo e um sol de matar. E agora tá nublado de novo. Tenho acompanhado as previsões e nem essas acertam muito, tadinhas.

6 comentários:

Clark disse...

Sobre (1): eu tinha o mesmo problema em Leiden!

Sobre (6): aqui, Brandão (Brandon?) faria uma manifestação contra a escolta policial "burguesa, repressora, neoliberal" que estaria INVADINDO o território (nacional?) da universidade...

L. M. de Souza disse...

saudades dessa terra. em chicago era igualzinho, inclusive a escolta.

Renato Lacerda disse...

Sobre (6): Eu li em algum lugar (acho que em algum panfleto) que você pode solicitar isso à Guarda Universitária da USP. Mas vai saber se na prática isso funciona...

Julio Barbosa disse...

Sobre (7): Tá se sentindo em casa, tipo sampa, né? hehehehehehehe

(Aliás, tava um calor lascado nos últimos dias, depois de dias de frio congelante, e agora tá um tempo de chuva inexplicável)

Julio Barbosa disse...

Ah, quando vc vai postar uma foto da Azadeh, pra gente ver se ela é uma gatinha persa (com o perdão do trocadilho infame)?

Leo disse...

é só procurar no meu facebook, Julinho ;)